sábado, 18 de setembro de 2010

Opinião

BRASÍLIA DAS FLORES
Uma paródia para se (re)pensar o país em época de eleições

por Fábio Congiu
No centro de um grande país, existe uma cidade planejada por um presidente e por um arquiteto. Presidente é um trabalhador que, assim como jornalistas, não precisa de diploma para exercer sua função; arquitetos são comunistas que projetam obras de luxo para capitalistas. Essa cidade chama-se Brasília.

Seu Augustinho é um trabalhador rural. Como presidentes e jornalistas, não precisa de diploma para exercer sua função de plantar e colher os alimentos que as pessoas consomem. Seu Augustinho trabalha seis dias por semana no sítio onde é empregado na zona rural de Brasília.

Brasília é a capital do Brasil. Brasil é uma coisa engraçada e também um país. Por ser capital da coisa engraçada, é lá que as coisas mais engraçadas acontecem. Um exemplo: quem nasce em Brasília não é brasiliense; é índio, nordestino, caipira, político.

Políticos são pessoas como Seu Augustinho, empregados, só que trabalham três dias por semana, usam terno e gravata e dinheiro público. Dinheiro público é o dinheiro que o povo de um país passa para o governo para que este decida o que fazer com ele. Povo é um conjunto de pessoas que moram em uma mesma porção de terra, falam a mesma língua e riem juntas da desgraça alheia.

O dinheiro público deve ser repassado de forma a atender tanto às necessidades do patrão de Seu Augustinho quanto as de Seu Augustinho. Quem decide como investir esse dinheiro são os empregados do patrão de Seu Augustinho e também de Seu Augustinho – os políticos. Políticos têm em mãos uma grande responsabilidade e nenhuma responsabilidade na cabeça.

No caso do Brasil, que é uma coisa engraçada cuja capital é Brasília onde ficam os políticos – empregados tanto do patrão de Seu Augustinho quanto de Seu Augustinho responsáveis pela administração do dinheiro público –, o povo é a única espécie de patrão que paga para seus empregados um salário superior ao seu, aceita que eles descumpram suas ordens e não os repreende ou demite quando usam ilegalmente o dinheiro da empresa.

Para quem não compreendeu a ideia deste texto, o Youtube disponibiliza de forma gratuita (o que não quer dizer de forma legal) o documentário "Ilha das Flores", de Jorge Furtado, obra na qual se baseia humildemente a opinião aqui publicada. É extremamente aconselhável que se veja: http://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28

5 comentários:

Anônimo disse...

Vivemos no País da Piada Pronta, com diria o Macaco Simão!

Muito bem escrito!

Anônimo disse...

E ai...chovendo por ai?
Vocês são....é....legais

PCM disse...

Esse Congiu é um danado e bonitão. Escreve tudo bem escrito. Parabéns "mi amoooore". ;]

Anônimo disse...

Olha que legal, Fábio Congio!
Você continua escrevendo como nos velhos tempos!

Anônimo disse...

É? E isso é bom, anônimo?

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