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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Marina se diz “inodora” e foge para China

Fernando Gabeira acompanhou a amiga até Butão, onde permaneceu para comprar "iguarias"

Por Lucas Constantino e Paulo Dias (em compras pela China)

Após reciclar as cartas de Dilma e os panfletos de Serra¹, a historiadora Marina Silva deixou sua casoca² aos cuidados de Marcos Palmeira, fugindo para a China na companhia de Fernando Gabeira. A ex-candidata à presidência declarou que sua posição ao 2º turno é “inodora”³, e desde então não falou mais sobre o assunto.

Fernando Gabeira, ex-eletricista e anacrônico, viajaria com Marina até a China, mas problemas com seu passaporte (algumas folhas queimadas) o impediram de entrar no país com a maior economia mundial. O amigo de Marina e Serra parou em Butão (país com maior índice de iguarias por habitante quadrado). “Ainda bem. Péssima companhia. Marina é ingênua feito criança. Certeza que ele (Gabeira) manipula ela. Aquela alimentação a base de grãos ela não tinha quando era do PT e minha amiga. E ela nem ouvia Rock'n Roll", confessou Dilma Rousseff, sob efeitos de calmantes.

"Não deu nem tempo de me despedir da menina. Pegou Gabeira pelo braço, se amontoou num dragão do espaço e voou, voou para a China. Ninguém segura a menina", musicou Gilberto Gil sobre a fuga.

A nutrição de Marina nunca foi regrada em grãos. No entanto, tal alimentação aumentou depois que o PV cortou todos os gastos com mortadela e carne moída, forçando os membros do partido a levar suas próprias refeições nas reuniões. "Mas os tempos de escassez ficaram para trás. Mesmo com poucas horas em solo chinês, já me destaquei na colheita de arroz. Por isso, recebi a quantia necessária para satisfazer minhas ambições iniciais, como a compra de indumentárias chinesas feito com o poliéster, que eu nunca poderia usar. O Greenpeace me dava uma dor de cabeça", declarou a ex-cidadã do Acre após várias doses de saquê.

Enquanto isso, na morada que Marina deixou no Brasil, Marcos Palmeira promove, toda noite, festejos com o tema "folclore", perturbando o sono da vizinhança.

¹ Revertendo o material produzido em apostilas do EJA.

² Habitação construída de barro, cipó e colchonetes, invenção de Hélio Oiticica.

³ Termo aprendido na 2ª série do mobral (equivalente a 7ª série do ensino fundamental).

domingo, 3 de outubro de 2010

Opinião

É LULA DE NOVO
Com a força da publicidade, candidatos são eleitos tal qual um achocolatado na prateleira
por Fábio Congiu
Não é arriscado apostar na vitória de Dilma Rousseff no dia 31 de outubro. É claro que o jogo pode virar, mas é inegável a dificuldade. Dizer que Lula manda e desmanda no país é exagero, teoria da conspiração (onde está a CPMF agora, conspiradores?); entretanto, o poder que ele alcançou à custa de imagens/publicidades é no mínimo intrigante. Afinal, seu apadrinhamento elevou em pouco menos de um ano sua candidata do “anonimato” à provável primeira presidente do Brasil.

Quem é Dilma Rousseff? Para alguns veículos da imprensa, uma terrorista; para outros, a candidata mais preparada. Para grande parte da população, uma aproveitadora; para outra grande parte, a mulher do Lula. Ao longo dessas eleições de 2010, muito se discutiu a respeito da ex-ministra-chefe da Casa Civil; todavia, pouco foi concluído. Concluiu-se apenas o fenômeno do popululismo, mistura moderna (cujos pés estão no passado) de marketing e carisma que tem o poder como alvo.

Pouco valeria pregar experiência administrativa, comentar seu empenho na luta contra a ditadura militar, ocultar “problemas” pessoais como divórcio e até mesmo passar por uma metamorfose caso Dilma não pudesse contar com o apoio de Lula aliado a um excepcional trabalho de marketing. E que trabalho! Se em abril de 2010 o Datafolha a apontava com algo em torno de 28% das intenções de voto contra 38% de seu principal oponente, José Serra, ela terminou o grande dia superando-o com 46,71% contra 32,69%.

Diante do horário eleitoreiro, há que se convir: a “mulher do Lula” parece mesmo a mais preparada para “seguir mudando” o país. O poder da publicidade de transformar (literalmente) uma figura desconhecida da população nessa administradora ideal é o mesmo que transformou um ex-metalúrgico no presidente mais popular de nossa História. De 2003 a 2009, mais de 7,7 bilhões de reais foram gastos em publicidade pelo governo Federal a fim de atribuir ao “cara” a conversão das terras tupiniquins num suposto país glorioso, emergente e igualitário.

É esse mesmo poder o responsável pela conversão de corruptos e palhaços em deputados federais, pagodeiros em vereadores (por pouco, em senadores), esposas inexperientes em candidatas ao governo, democracia em circo (dos horrores). Eleger representantes políticos no Brasil é como comprar chocolate em pó: na TV, o produto é chamativo e cativante; em casa, nota-se que tudo era meramente ilustrativo, mas, mesmo assim, ninguém reclama.

Durante a campanha, predominaram os candidatos-achocolatados. Enquanto os coligados de Dilma (inclusive ela) abraçaram a imagem de Lula, os de Serra (inclusive ele) abraçaram a imagem de... Lula. Assim, quase todos ficaram bonitinhos e felizes, mas ideias, debates, planos e soluções ficaram à deriva. Não há nisso, contudo, nenhum desmerecimento: se, neste país, política assumiu o status de comércio, vence quem vende melhor, e vende melhor quem explora imagens em vez de conteúdo (vide a sessão de best-sellers das livrarias ou os programas mais vistos na TV). Portanto, a ascensão de Dilma Rousseff como consequência indubitável da popularidade de Lula, e a ascensão desta, do marketing, confirmam o poder intrigante e perigoso do fenômeno do popululismo, que sentencia um novo slogan: “é Lula de novo com a força da publicidade”. Até quando?

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