Pior não fica?
Palhaçadas políticas: exercício da democracia ou desrespeito ao país?
Palhaçadas políticas: exercício da democracia ou desrespeito ao país?
por Fábio Congiu
Uma professora disse essa semana:
“Jornalistas, pensem como povo. Não pensem como vocês.” Segundo ela, isso ajuda a explicar muita coisa como, por exemplo, a popularidade do presidente Lula, o sucesso do sertanejo universitário, o bombardeio de palhaçadas políticas no horário eleitoral gratuito. Não faltam armas cujo intento seja desmoralizar a democracia – Mulher Pera, Ronaldo Esper, Marcelinho Carioca, Maguila, Kiko (do KLB), Caju, Netinho de Paula –, mas confesso que nenhuma delas me comove tanto quanto a candidatura do artista e intelectual brasileiro, Tiririca.
Vamos, pois, forçar a amizade. Digamos que Netinho de Paula (pagodeiro), almejante ao Senado, represente jovens da periferia (“do gueto”, como ele costuma dizer) que ainda precisam e muito de alguém que os alerte quanto aos seus direitos; Caju (parceiro de Castanha, com quem faz repentes), vá lá: há inúmeros nordestinos espalhados pela metrópole e é interessante que se eleja alguém com vivência parecida. Entretanto, candidato a Deputado Federal pelo PR (Partido da República), Tiririca representa quem? Os coloridos da modinha atual? Penso que não; logo, prossigo.
“Sabe o que faz um Deputado Federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto.” Enquanto seus concorrentes midiáticos apresentam discursos aparentemente sérios (inclusive Maguila, com a ajuda de legendas, é claro), Tiririca assume sua ignorância política, zomba de seus eleitores, afirmando que lhes contará os deveres políticos se eleito, e ainda é capaz de mostrar descaradamente total desinteresse pelo melhor exercício da democracia brasileira: “Vote no Tiririca; pior do que está não fica.” Votar nele já significa que as coisas podem piorar.
Se tudo é tão escrachado e desmotivador (em contraponto à política tradicional das boas impressões e promessas) e se toda candidatura tem um público-alvo, logo, quem são os eleitores que Tiririca procura? A autora da frase citada no princípio do texto referia-se à identificação: vota-se em Lula porque ele fala errado e é assim que fala a grande maioria da população brasileira. Que seja. Coloquemos, contudo, essa visão sobre a candidatura de Tiririca: o povo brasileiro, por acaso, é palhaço (no sentido de ridículo, de desimportante, de só fazer tolices)?
Cabe ao leitor procurar esta resposta – os tempos avançam, as coisas evoluem, mas a concepção de povo talvez permaneça carente de aprofundamento. O que se pode constatar é que a candidatura em questão não representa um exercício de democracia, mas sim, um desrespeito a um país que, justamente por ser tão jovem no contexto democrático, merece, ao menos, melhor orientação e fiscalização mais séria no campo político.
“Jornalistas, pensem como povo. Não pensem como vocês.” Segundo ela, isso ajuda a explicar muita coisa como, por exemplo, a popularidade do presidente Lula, o sucesso do sertanejo universitário, o bombardeio de palhaçadas políticas no horário eleitoral gratuito. Não faltam armas cujo intento seja desmoralizar a democracia – Mulher Pera, Ronaldo Esper, Marcelinho Carioca, Maguila, Kiko (do KLB), Caju, Netinho de Paula –, mas confesso que nenhuma delas me comove tanto quanto a candidatura do artista e intelectual brasileiro, Tiririca. Vamos, pois, forçar a amizade. Digamos que Netinho de Paula (pagodeiro), almejante ao Senado, represente jovens da periferia (“do gueto”, como ele costuma dizer) que ainda precisam e muito de alguém que os alerte quanto aos seus direitos; Caju (parceiro de Castanha, com quem faz repentes), vá lá: há inúmeros nordestinos espalhados pela metrópole e é interessante que se eleja alguém com vivência parecida. Entretanto, candidato a Deputado Federal pelo PR (Partido da República), Tiririca representa quem? Os coloridos da modinha atual? Penso que não; logo, prossigo.
“Sabe o que faz um Deputado Federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto.” Enquanto seus concorrentes midiáticos apresentam discursos aparentemente sérios (inclusive Maguila, com a ajuda de legendas, é claro), Tiririca assume sua ignorância política, zomba de seus eleitores, afirmando que lhes contará os deveres políticos se eleito, e ainda é capaz de mostrar descaradamente total desinteresse pelo melhor exercício da democracia brasileira: “Vote no Tiririca; pior do que está não fica.” Votar nele já significa que as coisas podem piorar.
Se tudo é tão escrachado e desmotivador (em contraponto à política tradicional das boas impressões e promessas) e se toda candidatura tem um público-alvo, logo, quem são os eleitores que Tiririca procura? A autora da frase citada no princípio do texto referia-se à identificação: vota-se em Lula porque ele fala errado e é assim que fala a grande maioria da população brasileira. Que seja. Coloquemos, contudo, essa visão sobre a candidatura de Tiririca: o povo brasileiro, por acaso, é palhaço (no sentido de ridículo, de desimportante, de só fazer tolices)?
Cabe ao leitor procurar esta resposta – os tempos avançam, as coisas evoluem, mas a concepção de povo talvez permaneça carente de aprofundamento. O que se pode constatar é que a candidatura em questão não representa um exercício de democracia, mas sim, um desrespeito a um país que, justamente por ser tão jovem no contexto democrático, merece, ao menos, melhor orientação e fiscalização mais séria no campo político.