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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mil caras de Serra são só cinco, revela imagem

Fotografia seria verídica ou mais uma montagem difamando presidenciáveis?

por Paulo Dias

Uma imagem do candidato à presidência José Serra, divulgada na noite desta terça-feira, pôs em dúvida a constatação de Dilma sobre as "mil caras" do tucano. A fotografia, assinada pelo paparazzi André Jordano, mostra o presidenciável poucos minutos após acordar, saindo de casa para comprar o café-da-manhã. “A Dilma veio falando aquele monte de coisa, que era um monte de caras, muitas caras, mil caras. Daí descubro que são só cinco caras de Serras: o Serra Boca-Estrábica, o Catatônico-Com-Heroína, o Cabeça-de-Cálcio (a cabeça-líder), o Vira-Homem-Vira-Vira e o Serra Após-Risoto-de-Petróleo (este perigosíssimo)”, descreveu o autor da foto (abaixo).

Ao receber a imagem pelo celular, a petista Dilma Rousseff teria arremessado o aparelho no lago arquitetado fora do Planalto, quebrando a janela do quarto presidenciável que divide com Lula e Marisa. Em depoimento ao The Jannah Wilson Blog’s, Dilma classificou a imagem como “falsa e tangiversa“. “Cinco caras ele tem quando acorda, seus tolos. Em noites de Lua Cheia, mil caras emergem nele feito neném em barriga de carioca favelada. Temo o caos que vai ser quando Júpiter alinhar-se com Urano, ambos em Áries”, confessou a petista, sem notar que cuspia no nosso enviado.

Procurada pelo blog, Mônica Serra foi categórica em recusar a entrevista: “Só falo depois que Serra reconhecer que eu nasci de uma daquelas caras. Ele nem se importa mais comigo. Quase perdi a mão costurando um chapéu de veludo para cobrir sua quarta cabeça, dias atrás. Ingrato que está, ele preferiu cobrir-se com uma bandana horrorosa, que deve ter ganhado dessas sirigaitas paulistanas”, choramingou a esposa de Serra.

ESTE BLOG APOIA CARIOCAS FAVELADAS E SIRIGAITAS PAULISTANAS

domingo, 10 de outubro de 2010

Opinião

TIRIRICA AINDA EM FOCO
Depois de tanta polêmica, o melhor é virar a página ou tentar contornar a situação?
por Fábio Congiu
Há algumas semanas, pensávamos: se, no Brasil, predominam campanhas feitas por identificação, Tiririca chamava o povo paulista de palhaço? Segundo suas declarações, não. Simplesmente, “eu falo a língua deles: vote em mim, abestado!” Seu método persuasivo funcionou e, sem propostas ou planos concretos (“De concreto, só cimento”), ele se consagrou Deputado Federal com a maior votação do país: mais de 1,3 milhão de votos.

Muito se tem falado sobre a candidatura e a vitória do humorista: quem vota nele é burro, voto em Tiririca é
voto de protesto, o PR lançou-o como candidato para angariar votos populares, deveriam ter impedido a candidatura dele, sua eleição deve ser invalidada e afins. Não vem ao caso se quem votou nele é “burro” porque não tem acesso a informações e à educação qualificada ou porque pensa que protestar é eleger candidatos escrachadamente despreparados. Interessante é a comprovação de que a apatia de uma grande parcela de brasileiros completamente desconhecedores das responsabilidades democráticas (não por que querem, vale ressaltar) chegou ao ponto de nem mais demonstrar interesse por promessas.

Tiririca não prometeu nada, não se posicionou em relação a nada, não se comprometeu a sério com ninguém – só fez rirem alguns e chorarem outros. Artista que é, investiu numa espécie de vanguarda eleitoral: em vez de disfarçar propostas políticas sem fundamento, assumiu suas asneiras, cantou e dançou e venceu. Outro bom exemplo de inovação pode ser sua resposta ao repórter que lhe perguntou se, caso eleito, iria vestido de Tiririca para a Câmara: “Não, não. De Francisco.” É como evoluir daquelas promoções de “pague um, leve dois” para “vote em um, leve outro”.

Porém, não é a a crise de identidade o foco da questão. Querem provar que Tiririca não sabe ler e, por isso, invalidar sua eleição. Essa capacidade, contudo, faria mesmo diferença em seu mandato? É muito provável que "exerçam” a profissão para ele, então... E quem votou nele provavelmente não se preocupou em pesquisar essas coisas. Talvez o mal já esteja feito, talvez ainda haja esperança (ou, ao menos, esperançosos)...

Pessimismo pode ser uma grande perda de tempo, mas impedir que Tiririca tome posse por não saber ler não seria mais do que aparar folhagens em vez de cortar o mal pela raiz. Embora quaisquer tentativas (por menores que sejam) de buscar melhor qualidade para o exercício democrático no Brasil sejam louváveis, se foi permitido que o personagem se candidatasse e se sua candidatura foi legitimada por tamanha votação, é justo agora invalidar o desejo de tanta gente?

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