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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Dilma nomeia Sandy para Ministério do Aborto

Para se dedicar ao Ministério, cantora deixará o blues, o soul e o cool jazz um pouco de lado

Por Lucas Constantino
Depois de muita especulação, charlatanismo e sessões de pompoarismo, Dilma Rousseff nomeou o último dos dois¹ Ministros mais importantes do seu governo: Sandy Leah será a nova Ministra do Aborto. A decisão saiu depois que o irmão da cantora (& Júnior²) tuitou: “Minha irmã estava na Fazenda e foi atacada por tucanos”. Por conta disso, Duda Mendonça e Ivo Pytangui, responsáveis pela imagem da presidente, aconselharam a nomeação da filha do Xororó para o cargo que aceitou naturalmente.

Nosso especialista em nomeações políticas, André Jordano, explicou que Sandy foi escolhida por conta do seu estereótipo de mulher, mulher frágil e mulher sem graça: “Ela transmite um ar de virgem estéril que nem a Mara Maravilha consegue passar. Entretanto, a ex-sandyejunior acredita que sua carreira musical não influenciou na escolha: “Sempre cantei na vida, mas nunca me meti com aborto. Acho tudo isso uma furada sem tamanho. Me sinto feliz em poder ajudar os homens e as mulheres que querem fazer isso”.

Em entrevista aos repórteres do TV Fama, a nova presidenta afirmou que não está saindo com Júnior como havia publicado o site Wikileaks na semana passada: Esse site se equivocou ao publicar minha vida pessoal. Todos sabem que eu não estou solteira, eu sou solteira. Meu coração agora é do Brasil”. Sobre a indicação da cantora da MPB, Dilma declarou: “Vi um vídeo dela no youtube³ que me impressionou muito”.


Sandy prometeu defender a vida mesmo que isso atrapalhe sua prodigiosa carreira artística: “Minha prioridade vai ser o Ministério. Vou me doar de corpo e alma. Não importa a eca que saia, nunca vou deixar o aborto prevalecer” concluiu a nova ministra com o filho de Dilma Roussef nos braços (foto)
4 .

¹O outro Ministro mais importante é o da Pesca.
²O rockeiro Júnior Lima que é cunhado de Lucas Lima.

³Veja vídeo.

4Dilma cedeu seu filho para a sessão de fotos pois Sandy não é mãe.

domingo, 10 de outubro de 2010

Opinião

TIRIRICA AINDA EM FOCO
Depois de tanta polêmica, o melhor é virar a página ou tentar contornar a situação?
por Fábio Congiu
Há algumas semanas, pensávamos: se, no Brasil, predominam campanhas feitas por identificação, Tiririca chamava o povo paulista de palhaço? Segundo suas declarações, não. Simplesmente, “eu falo a língua deles: vote em mim, abestado!” Seu método persuasivo funcionou e, sem propostas ou planos concretos (“De concreto, só cimento”), ele se consagrou Deputado Federal com a maior votação do país: mais de 1,3 milhão de votos.

Muito se tem falado sobre a candidatura e a vitória do humorista: quem vota nele é burro, voto em Tiririca é
voto de protesto, o PR lançou-o como candidato para angariar votos populares, deveriam ter impedido a candidatura dele, sua eleição deve ser invalidada e afins. Não vem ao caso se quem votou nele é “burro” porque não tem acesso a informações e à educação qualificada ou porque pensa que protestar é eleger candidatos escrachadamente despreparados. Interessante é a comprovação de que a apatia de uma grande parcela de brasileiros completamente desconhecedores das responsabilidades democráticas (não por que querem, vale ressaltar) chegou ao ponto de nem mais demonstrar interesse por promessas.

Tiririca não prometeu nada, não se posicionou em relação a nada, não se comprometeu a sério com ninguém – só fez rirem alguns e chorarem outros. Artista que é, investiu numa espécie de vanguarda eleitoral: em vez de disfarçar propostas políticas sem fundamento, assumiu suas asneiras, cantou e dançou e venceu. Outro bom exemplo de inovação pode ser sua resposta ao repórter que lhe perguntou se, caso eleito, iria vestido de Tiririca para a Câmara: “Não, não. De Francisco.” É como evoluir daquelas promoções de “pague um, leve dois” para “vote em um, leve outro”.

Porém, não é a a crise de identidade o foco da questão. Querem provar que Tiririca não sabe ler e, por isso, invalidar sua eleição. Essa capacidade, contudo, faria mesmo diferença em seu mandato? É muito provável que "exerçam” a profissão para ele, então... E quem votou nele provavelmente não se preocupou em pesquisar essas coisas. Talvez o mal já esteja feito, talvez ainda haja esperança (ou, ao menos, esperançosos)...

Pessimismo pode ser uma grande perda de tempo, mas impedir que Tiririca tome posse por não saber ler não seria mais do que aparar folhagens em vez de cortar o mal pela raiz. Embora quaisquer tentativas (por menores que sejam) de buscar melhor qualidade para o exercício democrático no Brasil sejam louváveis, se foi permitido que o personagem se candidatasse e se sua candidatura foi legitimada por tamanha votação, é justo agora invalidar o desejo de tanta gente?

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